O 2º Conecta do Seminário Teológico Batista Gilgal chegou ao fim na noite de quarta-feira, dia 19. A última palestra foi ministrada pelo pastor Cezar Flora, que abordou o tema “Apologética – A Crise da Subjetividade: como a ausência de um fundamento divino fragmentou a identidade moderna”.
Durante a exposição, o pastor apresentou uma análise sobre a formação da identidade humana ao longo da história e os impactos provocados pelo deslocamento de Deus como centro absoluto da existência. A reflexão partiu de uma pergunta fundamental: “Quem sou eu?”
Segundo a abordagem apresentada, na visão pré-moderna, a identidade não era simplesmente inventada pelo indivíduo, mas descoberta a partir de sua relação com um centro absoluto. Com a chegada da modernidade, porém, ocorreu um deslocamento desse centro, modificando profundamente a compreensão sobre o ser humano e sua existência.
A palestra também percorreu importantes pensadores da modernidade. Ao abordar René Descartes, foi destacado o conceito “Cogito, ergo sum” — “Penso, logo existo” —, colocando a certeza fundamental no próprio sujeito e estabelecendo uma separação entre o indivíduo e o mundo.
Na reflexão sobre John Locke, o palestrante apresentou a consciência como fundamento da identidade, destacando a ideia do “eu pontual”, no qual o indivíduo passa a compreender a si mesmo como objeto de observação e transformação.
Já em Immanuel Kant, a discussão avançou para o conceito do “eu autônomo”, relacionado à chamada Revolução Copernicana. Nesse modelo, o sujeito assume um papel ativo como legislador moral, e a razão individual passa a ocupar lugar central na definição da verdade.
A exposição também apresentou um contraste entre os paradigmas pré-moderno e moderno. Na perspectiva pré-moderna, o ser humano é compreendido como uma criatura relacional, cuja identidade é recebida e descoberta, tendo Deus como centro absoluto. Já na modernidade iluminista, o indivíduo passa a ser visto como um ser autônomo, que constrói e autodetermina sua própria identidade, enquanto Deus passa a ser tratado como uma hipótese exterior.
Ao tratar da pós-modernidade, o pastor Cezar Flora destacou que a crise contemporânea não pode ser ignorada, pois ela revelou uma fragilidade presente no projeto iluminista: o ser humano não é absolutamente autônomo, autossuficiente ou completamente transparente para si mesmo.
A pós-modernidade também demonstrou que o “eu” é constituído em relação à linguagem, à comunidade e à história. Entretanto, embora a desconstrução do sujeito moderno tenha sido necessária para revelar suas fragilidades, ela não oferece, por si só, um fundamento suficiente para reconstruir a identidade humana.
Nesse contexto, a apologética cristã assume um papel fundamental. A reflexão apresentada mostrou a importância de os cristãos compreenderem as transformações culturais e filosóficas que moldaram a sociedade atual, estando preparados para defender a fé cristã em um mundo marcado pelo relativismo, pela fragmentação e pelo vazio de sentido.
Com o encerramento da última palestra do 2º Conecta, ficou entre os participantes a expectativa por novas oportunidades de aprendizado. O 2º Conecta STBG terminou com a sensação de que o conhecimento das Sagradas Escrituras e da teologia desperta ainda mais sede por aprofundamento, deixando um verdadeiro “gostinho de quero mais”.









